#4 Passos Básicos Para Começar a Investir

Este material  é parte de  um EBook que elaborei.  É uma introdução ao assunto, mas poderá ajudar muito  quem não conhece nada do mercado financeiro.

 

 

Se você se interessou   é porque já percebeu o quanto é importante se planejar para alcançar seus sonhos, seus objetivos, sua independência financeira.   Ter conhecimento sobre investimentos, faz parte da Educação Financeira.

Ao longo deste  material  você tomará contato com temas que considero os 04 PASSOS iniciais para começar a investir:

1- Importância do planejamento financeiro

2 – Porquê investir

3- Tipos de investimentos

4- O que considerar nas escolhas dos investimentos

Provavelmente você já tenha conseguido guardar algum dinheiro, e agora está buscando conhecimento para poder tomar suas decisões e fazer esse dinheiro se multiplicar, trabalhar a seu favor. Se não conseguiu ainda, não desista! Faça mudanças na sua vida, livre-se das dívidas e passe de devedor para investidor.  Esse passo não é fácil, mas é possível. Você chegará lá, com certeza! Então para começar a investir mesmo com pouco dinheiro, você precisa conhecer  alguns princípios básicos sobre investimentos.

 

PRECISO CONHECER O “FINANCES”?

No mundo dos investimentos, existe um monte de siglas, nomes estranhos, um “finances”  mesmo! Você pode se assustar e achar que nunca vai entender.  Você pode estar pensando que até  parece que essas siglas e nomes existem para que não consigamos entender nada desse mercado.

 

Mas, veja bem, você já deve ter percebido que assim como em qualquer outra área seja no direito, na medicina ou outra, todas têm seu linguajar próprio, não é mesmo?  Não desanime, isso não é um bicho de sete cabeças!

 

Se você não quer ser um profissional de mercado, basta que  conheça alguns princípios, tome conhecimento das possibilidades que existem, conheça o significado de algumas siglas e nomes,   e assim possa fazer suas escolhas com mais embasamento. Você terá  mais tranquilidade e segurança nas suas decisões  mesmo não sendo um expert de mercado.

 

ECONOMIZAR, POUPAR E INVESTIR

Em primeiro lugar, precisamos esclarecer que existem diferenças entre economizar, poupar e investir. Na verdade, essas são etapas distintas do planejamento financeiro.

 

Economizar é quando por exemplo, você faz uma pesquisa de preços para comparar um mesmo produto e consegue compra-lo por um valor menor, ou compra outro produto semelhante de menor preço . Você portanto,   gastou menos recursos, que podem ou não ser poupados por você. Se não houver planejamento você irá gastar a economia com outra coisa, pense bem… Seu empenho de nada adiantaria para seu planejamento.

 

Poupar é quando você através de decisões de consumo mais inteligentes faz um orçamento e habitualmente, digamos todo mês,  consegue juntar, guardar dinheiro.

 

Investir é um passo mais à frente, é levar o dinheiro do presente para o futuro, é abrir mão do consumo hoje e ser recompensado no futuro. Por isso você recebe um prêmio que são os juros. Lá na frente você terá poder aquisitivo maior, poderá gastar mais sem “perrengues”, porque se planejou. Investir é um trabalho contínuo, que vale o esforço.

 

 

POR QUÊ INVESTIR?

Por que o dinheiro é importante para você? Pense nos seus valores, medos e desejos, e  então determine seus objetivos financeiros.  Anote, documente seus objetivos, faça uma estimativa (não precisa ser exata) de quanto dinheiro  vai precisar e em quanto tempo.

 

Você tem três Nortes para seguir no planejamento de seus investimentos:

1- OPORTUNIDADES: Quando por exemplo aparece algo com preço muito bom como uma passagem aérea para suas férias, ou  uma emergência para consertar seu carro que quebrou,  entre outros. Aqui deverão estar os recursos para acontecimentos inesperados.    A meta recomendada pelos especialistas  é  guardar de 03 a 06 vezes do seu gasto mensal, devendo investi-los no curto prazo (até um ano é considerado curto prazo).

 

2- APOSENTADORIA: Quanto antes juntar mais rápido você chegará lá. Quanto e por quanto tempo, vai depender de algumas variáveis como: quanto você deseja ter de renda no futuro, por quanto tempo usará os recursos,  terá outras fontes de renda?  Enfim, essa tarefa vai exigir uma análise mais detalhada, mas não impossível. Existem planilhas de cálculo para ajudar nessa simulação. Os juros compostos (que são juros sobre juros) e o hábito de poupar estão a seu favor, e são excelentes motivos para alcança-la rapidamente. Esses recursos serão investidos no longo prazo (acima de cinco anos).

 

3- SONHO: O sonho varia de pessoa para pessoa, podendo ser a compra de um imóvel, um carro, uma viagem, enfim use os investimentos, as aplicações para atingir seus sonhos. Aqui o prazo dependerá do objetivo de cada um e da capacidade de poupar, então poderá ser no curto, médio (entre um e cinco anos) ou longo prazo.

 

 

 

O QUE SÃO JUROS?

Juros é o valor do dinheiro ao longo do tempo, “é o rendimento que se obtém quando se empresta dinheiro por um determinado período. Os juros são para o credor (aquele que tem algo a receber) uma compensação pelo tempo que ficará sem utilizar o dinheiro emprestado”. Nos investimentos é a forma de remuneração do seu dinheiro.

Todo país tem uma taxa de juros base ou taxa básica da economia. Ela é quem digamos orienta as taxas que o mercado pratica (serve de parâmetro). No Brasil ela se chama SELIC – Sistema Especial de Liquidação e Custódia.

Se a taxa de juros sobe, seus investimentos atrelados a essa taxa também sobrem, assim como o custo dos empréstimos. O inverso também é verdadeiro.

Atualmente  a taxa no país está definida em 11,25% ao ano. Essa taxa é estabelecida a cada 45 dias pelo COPOM – Comitê de Política Monetária.

 

OS INDEXADORES – JUROS SOBRE OS INVESTIMENTOS

Alguns indexadores (índices que corrigem) mais usuais  que podem ser aplicados aos investimentos:

1– O CDI – Certificado de Depósito Interbancário ou DI – Depósito Interbancário (taxa que os bancos cobram para emprestar dinheiro entre si). O CDI anda praticamente “colado” com a SELIC.

2- IPCA– Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. O IPCA é um índice calculado pelo IBGE órgão do Governo Federal. Mede a inflação em um determinado período.

3- IGPM – Índice Geral de Preços do Mercado calculado pela FGV – Fundação Getúlio Vargas que é uma entidade privada. Também mede a inflação, porém analisado com outros componentes diferentes do IPCA.

 

TIPOS DE TÍTULOS

Quanto a RENTABILIDADE os títulos são classificados em Renda Fixa e Renda Variável.

Os títulos de RENDA FIXA podem ser:

 

Prefixados – você sabe quanto vai render seu investimento, sabe quanto irá resgatar no final do período. A taxa de x% de juros sobre o capital é definida no momento da contratação. Essa taxa é chamada de nominal, pois deve ter descontada a inflação do período. Assim você saberá  a taxa Real, ou quanto você ganhou  acima da inflação. São mais indicados para investimentos de médio e longo prazo.

Pós-fixados – onde você não sabe quanto exatamente irá resgatar no vencimento da aplicação. Os investimentos são corrigidos por um indexador como: CDI, IGPM, variação cambial, outros. Os que são corrigidos pelo CDI são mais indicados para investimentos de curto prazo.

 

Vale ressaltar, que apesar de ser um investimento chamado de  Renda Fixa, existem possibilidades de variações negativas. Portanto, é possível perder dinheiro. Os principais títulos dessa modalidade são os títulos públicos federais (LFT, LTN, NTN-F, NTN-B) e os privados (CDB,  LCI, LCA, Nota Promissória, Debêntures, etc.).

 

Os títulos de RENDA VARIÁVEL:

Não tem regra para a rentabilidade. Existem inúmeros fatores que afetam a remuneração desse tipo de investimento. Podem apresentar grande rentabilidade em curto período ou grande perda. Os tipos mais comuns são  as ações,  (que representa uma fração do capital de uma sociedade anônima).

 

 

 

CONCEITOS IMPORTANTES SOBRE O RISCO

Por que certos investimentos não são rentáveis, gerando até prejuízos? O fato é que quanto maior a expectativa de retorno, maior o risco. Há vários riscos envolvidos, fazendo com que exista a possibilidade do retorno  não ser o esperado. Por isso, quando for investir não olhe só o retorno, a taxa. Não tome decisões olhando a rentabilidade passada, pois isso não é garantia de rentabilidade futura. Tenha em conta seu perfil, como você se comportaria diante de uma perda?  Não é fácil prever certas variáveis, por isso é importante analisar todos os riscos envolvidos:

 

1- Risco de Mercado – são as condições da economia, como variação do câmbio, dos juros, preço das ações, entre outros.

 

2- Risco de Crédito – quando você investe você está emprestando dinheiro para alguém, seja para o banco, para o governo, para uma empresa privada. O risco de crédito significa a capacidade de pagamento desses credores, quer dizer se ele vai ter condições de honrar com os juros acordados e pagamento também do principal que você investiu.

 

3- Risco de Liquidez – está relacionado com a facilidade que você terá para levantar os recursos se eventualmente precisar resgatar o investimento. Se haverá pessoas interessadas em adquirir o título que você vai precisar vender.

 

4- Risco Legal – diz respeito às eventuais questões para cumprimento das condições acertadas, possibilitando que o devedor ou tomador (para quem o dinheiro foi emprestado) não honre com os compromissos por questões legais. Daí a grande importância de só aplicar em investimentos regulamentados.

 

5- Risco Operacional – no decorrer do investimento poderão ocorrer falhas no controle dos custos, em equipamentos, má administração do gestor, entre outras

 

DIVERSIFICAÇÃO

Existe uma máxima usada no mercado que diz “Não ponha todos os ovos na mesma cesta”. Diversificar é dividir o dinheiro entre investimentos diferentes, com riscos diferentes. No momento em que uns sobem outros podem cair, dessa maneira você dilui os riscos de perdas equilibrando sua carteira de investimentos. Saber quanto colocar em cada cesta, vai depender do volume envolvido, prazo, seu perfil como investidor. Alocação de Ativos é um assunto para estudo específico.

 

CUSTOS E TRIBUTAÇÃO

Cada tipo de investimento tem um custo e uma tributação diferente.

O Custo: serve para remunerar todas as pessoas envolvidas na administração, na gestão, enfim que estão por trás das operações. Normalmente esses custos  são cobrados sobre o valor total aplicado (sobre o patrimônio líquido).

 

Os Impostos: são recolhidos para o governo, e normalmente são aplicados sobre o rendimento. Na maioria dos títulos de Renda Fixa é aplicada a tabela de Imposto de Renda regressiva que varia entre 22,5% e 15% conforme o prazo do investimento. Há também o IOF que é regressivo, mas incide somente se você resgatar até o 30º dia  contados do inicio da aplicação. Já nas aplicações em ações o Imposto de Renda é de 15% independente do prazo. Há também investimentos isentos de Imposto de Renda como as LCI – Letras de Crédito Imobiliário  e LCA – Letras de Crédito Agrícola, pois normalmente há interesse do governo para estimular esses setores.

 

 

PRINCIPAIS TIPOS DE INVESTIMENTOS DE RENDA FIXA

 

POUPANÇA: É o mais popular e antigo. Muitas pessoas  por questões da facilidade   para abrir uma poupança, por não haver restrições quanto a valores, mas principalmente pela falta de conhecimento acabam optando por este tipo de aplicação. A maior parte dos recursos depositados na poupança é destinada ao  financiamento de  imóveis. Seu rendimento histórico é de cerca de 6% ao ano. De longe é o pior investimento nos últimos tempos, ficando abaixo até da inflação em vários períodos.  Tem garantia do FGC – Fundo garantidor de Crédito até o limite de R$ 250.000,00. Ou seja, se a instituição vier a ter problemas, você poderá resgatar até este limite por CPF e por instituição.

 

CDB:  Certificado de Depósito Bancário: É um título cujo emissor é um Banco. Funciona como um empréstimo que você faz, e o banco utiliza os recursos para emprestar para outros clientes  ganhando o que é chamado de spread (a diferença entre o que lhe paga de juros e o que cobra de outro cliente). Os valores mínimos para investir normalmente são elevados e a taxa dependerá desse volume. Pode ser corrigido por um indexador (normalmente um percentual do CDI) ou ser prefixado. Pode ainda ter liquidez diária ou não. Tem retenção de imposto de renda. Também é garantido pelo FGC até R$ 250.000,00.

 

TÍTULOS PÚBLICOS: Você empresta para o Governo, que financia suas atividades, as obras públicas. Este tipo de ativo é considerado o de menor risco de crédito. Na verdade, o governo pode emitir mais moeda (novos títulos) se vier a ter problemas.  Os títulos Públicos são considerados Ativos Livres de Risco, pois como disse acima são os que têm menor risco de crédito em relação aos demais. O Tesouro Direto é um programa do TESOURO NACIONAL (Fazenda Pública ou erário público).

 

O TESOURO DIRETO é um programa que faz a compra e recompra dos títulos públicos, ou seja, todo ativo do Tesouro Direto é um título público, mas nem todo título público faz parte do TESOURO DIRETO. Esses títulos têm sido um sucesso nos últimos tempos, pois é acessível a todas as pessoas, podendo ter aplicações a partir de R$ 30,00,  além de ter ótimos retornos. Para aplicar você precisa abrir uma conta em uma corretora (existem várias que não cobram taxas) ou fazer através do seu banco (nesse caso sempre há taxas). Também há taxa de custódia da BMF&Bovespa de 0,30% ao ano cobrada sobre o valor dos títulos. Tem retenção de  imposto de renda. Eu diria que é um investimento bastante democrático, já que não distingue o pequeno do grande investidor para atribuir taxa de remuneração, todos têm a mesma taxa. Há títulos  com liquidez diária que são as LFT ou Tesouro Selic (como são chamados) que rendem todos os dias (sem oscilações negativas), títulos que pagam correção da inflação IPCA ou IGPM + uma taxa pré-fixada que são as NTN, ou títulos prefixados que são as LTN.  Conforme disse anteriormente apesar de ser um investimento chamado de Renda FIXA, existem possibilidades de perder dinheiro nos títulos indexados a inflação ou prefixados, mas somente se você resgatar antes do vencimento. Isso acontece devido a um mecanismo chamado de ”marcação a mercado” onde os títulos têm seu valor atualizado diariamente, mas este é assunto para outro material.

 

LCA e LCI:  São recursos destinados ao agronegócio e negócios imobiliários respetivamente.  Normalmente os valores mínimos para investir são elevados. Não tem retenção de imposto de renda, mas não tem liquidez. Você terá que levar o investimento até o vencimento. Também é garantido pelo FGC até R$ 250.000,00.

*O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é uma entidade privada, sem fins lucrativos, que administra um mecanismo de proteção aos correntistas, poupadores e investidores, que permite recuperar os depósitos ou créditos mantidos em instituição financeira, até determinado valor, em caso de intervenção, de liquidação ou de falência.

 

CONCLUSÃO

Essas são algumas premissas básicas sobre investimentos no mercado financeiro. Procure se informar sempre, estude e aprenda a acumular de forma assertiva. Em termos de investimentos, poupança não é a melhor indicação nesse momento. Uma opção para investir com pouco dinheiro são os Títulos do Tesouro Direto. Eventualmente é necessário rever seus investimentos, pois o mercado muda. Mas você não precisa e nem deve ficar estressado buscando sempre a melhor opção.  Evite pular de galho em galho mudando seus investimentos o tempo todo, isso pode não funcionar.

Muito cuidado para não ter prejuízo com tarifas, taxas e impostos. Isso é muito importante quando você escolhe os investimentos e quando faz mudanças nas estratégias. Essas escolhas podem gerar uma diferença incrível nos seus ganhos. A seleção dos títulos também deve levar em conta seu horizonte (tempo de acumulação) de investimentos. Seu perfil  ou “apetite” para riscos deve ser respeitado.

Não acredite em milagres, pois investir não é ganhar. Essa mentalidade gera comportamentos errados. Ganhar, ganhar é especulação! Não tem como saber qual vai ser o melhor investimento no futuro. O melhor investimento pode ser analisado hoje, e dependerá do horizonte de investimento e perfil de cada um. Não se engane, não existe “bola de cristal”. Existem tendências, análises, mas o mercado muda por diversas razões.

Investir é acumular patrimônio ao longo do tempo.  Poupe de maneira habitual. Você deve planejar  seu sonho, sua meta, sua independência financeira. Lembre-se que você não guarda dinheiro só por guardar. Você investe para desfrutar com liberdade daquilo que o dinheiro pode proporcionar.

  Investimento é um meio para outro fim”.

 

Educação Financeira, o caminho para sua liberdade financeira

 

FIQUE BEM ! Se gostou não esquece de curtir !

Ana Pacheco

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