Títulos de Capitalização: #Investimento, só que não !

Tempo de leitura: 6 minutos

Esses dias, vi um comentário num grupo que participo, sobre investimento em títulos de capitalização.

Ainda existem muitas pessoas que desconhecem as possibilidades de investimentos no mercado financeiro, e imaginam que estão fazendo um ótimo
negócio com esses títulos. Afinal estão concorrendo a prêmios e de quebra ainda terão seu dinheiro de volta. Acreditam até que estão investindo.

 

Fala-se muito mal dessas “aplicações”.  Tem gente que afirma ser mais barato jogar na loteria do que comprar esses títulos esperando ser sorteado.

Mas será  que realmente não há nenhuma vantagem em compra-los? Até 2015 , havia mais de 15,9 milhões de pessoas físicas detentoras de capitalizações.

E você tem um título de capitalização? Pode até não ter , mas provavelmente conhece alguém que tem. Não é mesmo?

Resolvi então, pesquisar  um pouco sobre esta modalidade chamada por muitos de “poupança”.

Quer saber? Bora lá!

 

O que é Investimento?

Para começar vamos definir o que é Investimento.

“Investimento é  a aplicação de um recurso, em geral na forma de dinheiro, na expectativa de obter um retorno futuro superior ao capital inicial, compensando os custos e  gerando lucro.”

Em termos financeiros, é aplicar seu dinheiro de forma que ele gere rendimentos futuros.

 

E O Que São Títulos de Capitalização?

Os títulos de capitalização é uma “aplicação” pela qual o subscritor (pessoa que aplica) forma um capital, através de aportes (pagamentos) que podem ser mensais, programados, ou único.

Os títulos de capitalização, é um produto comercializado largamente pelos bancos. Eles dão direito a participar de sorteios,  prometendo devolver ao final da vigência parte dos valores,  corrigidos normalmente pela TR + juros, e  valor  exigindo para adesão é pequeno.

Há um apelo muito forte para venda aos clientes,  principalmente nas instituições financeiras voltadas para o público de varejo. Talvez, isso explique sua grande popularidade entre os brasileiros.

 

Qual o objetivo dos Títulos de Capitalização?

 Eles são divididos em quatro as modalidades, cada uma com um objetivo, mas a que nos interessa neste momento é a Popular:

1 – Tradicional: no final do prazo de vigência, recebe no mínimo o valor total dos pagamentos realizados. Para isso deverá estar com as mensalidades em dia. Há sorteios em dinheiro. Esta modalidade é muito usada para garantia de aluguéis.

2 – Compra Programada: no final do contrato o titular poderá optar entre resgatar os valores depositados ou receber o bem durável ou serviço contratado no cadastro de adesão. Também concorre a sorteios.

3 – Incentivo: está vinculado a um evento promocional ou comercial. Normalmente empresas compram os títulos e cedem aos participantes, o direito somente aos sorteios.

4Popular: o objetivo aqui é propiciar participação em sorteios, sem que haja a devolução integral dos valores pagos. Este é o modelo mais conhecido e comercializado.

 

Por Quanto Tempo Pagar? Tem Liquidez?  

O prazo desses títulos deve ser de doze meses ou mais.

A maioria dos planos tem carência mínima de 12 meses para resgates e quando é permitido  antecipar tem penalizações, o que  reduz muito o valor a ser devolvido. Ou seja, não tem liquidez.

Os pagamentos das mensalidades realizados em atraso podem sofrer multas,  ter a vigência do contrato prorrogada e  não poderá participar dos sorteios enquanto estiver em atraso.

 

Como é a Composição do Valor de Resgate?

A cada pagamento  realizado, parte é destinado  para composição das cotas  de capitalização, parte para cotas de sorteio e parte para cotas de carregamento.

O que isso significa? Quer dizer que conforme o prazo já decorrido, parte do dinheiro que é aportado será para cobrir os valores dos sorteios (cotas de sorteio), parte para pagar os custos de administração (cotas de carregamento), e somente uma parcela irá compor as cotas de capitalização, que é efetivamente o capital ou reserva matemática que  será acumulado para resgate futuro.

 

Veja que na tabela abaixo na modalidade popular,  onde o  pagamento é único e há previsão de  sorteios, que  o percentual mínimo destinado à cota de capitalização é de 70% dos valores depositados ou de apenas 50% quando o prazo for de 12 meses de vigência.

 

 

Se os pagamentos forem mensais ou periódicos os percentuais que formarão a provisão matemática terão os seguintes valores mínimos:

 

Como é calculada a Rentabilidade?

A reserva matemática, ou seja o valor de resgate,  que conforme já explicamos é um percentual do valor depositado e não todo o valor, será obrigatoriamente corrigido pela TR + taxa de juros mensal de acordo com o que determinar cada contrato.

Essa taxa de juros deve ser no mínimo 20% da taxa aplicada à caderneta de poupança.

Portanto, título de capitalização não é a mesma coisa que poupança.

Mesmo que ao final da vigência, o título estabeleça resgate de 100% + TR, não terá rentabilidade equivalente à poupança. Na poupança a correção incide sobre todo o valor depositado. Se o mesmo valor fosse depositado na poupança, seria resgatado o valor principal + TR + Juros.

 

Conclusão

Investir é multiplicar.  Sendo assim, títulos de capitalização definitivamente não é investimento. Sequer pode ser comparado com a caderneta de poupança.

Sua vantagem pode estar no fato de que atraída pela chance de ganhar uma “bolada” nos sorteios,  a pessoa se sinta na obrigação de guardar dinheiro.

Nesse sentido, a possibilidade de ser sorteado, minimiza o “incomodo” que alguns sentem em adiar o consumo imediato ao poupar.

Mesmo  quem não consegue gastar de forma planejada e consciente, pode encontrar aí um meio para forçar uma “poupança”.

Após verificar que apesar de não receber de volta todo o valor aportado, poderá tomar gosto, ver que é capaz de reter, de guardar dinheiro.

É obvio que com um pouco de conhecimento, até os indisciplinados podem se programar  e optar por débito automático em conta corrente, fazendo aportes mensais no Tesouro Direto, ou até mesmo na  caderneta de poupança.

A vantagem então, do meu ponto de vista está na  mudança que poderá ocorrer na relação com o dinheiro.  A pessoa estará dando o primeiro passo , por que não ?

O próximo será descobrir um motivo para poupar, traçando metas,  sonhos de curto, médio e longo prazo. Motivado, certamente  o investimento será a próxima etapa.

Educação Financeira, é mais do que saber investir. É uma mudança de comportamento.

fonte: SUSEP

 

Se gostou , não esquece de curtir! Gratidão por me acompanhar! 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *